A maior praga de 2016 vem com mais força em 2017

Não há dúvidas que o tema “fake news”, ou notícias falsas ganhou uma dimensão estratosférica em 2016, ao ponto de Mark Zuckerberg ter que vir à público falar sobre o assunto, e explicar como o Facebook planeja criar contramedidas que diminuam a quantidade de fake news. Fake news nada mais é que a evolução do velho hoax, que inclusive é um tema que cai na prova de Security+ e está documentado no meu livro de Security+ da Nova Terra. Mas hoje em dia a coisa ganhou uma dimensão muito maior, ao ponto de haver inclusive gente matando outra devido a boatos em rede social, como foi o caso da mulher que foi espancada até a morte em 2014 no Brasil, depois de um boato que se alastrou via rede social ou no recente caso em Washington DC, onde um homen matou outras pessoas em uma pizzaria após ler notícias falsas em rede social.

A Internet não perdoa, e vai capitalizar aonde quer, pois vai sempre ter gente compartilhando e rindo com a desgraça do outro. Isso vai desde uma foto específica de um movimento comprometedor, mas que no fundo não parece ser o que é, até a intolerância de uma ação onde um Pai é espancado ao abraçar o filho pois alguns pensavam que era um abraço homosexual. A intolerância física e virtual vem trazendo efeitos desastrosos, recentemente uma menina aqui no Texas cometeu suicídio após ser vítima de cyberbullying. As pessoas que faziam isso chegaram até a criar um perfil falso em rede social e colocar as fotos desta menina, na página ela oferecia sexo de graça. Simplesmente incrível o nível de crueldadade.

Esse ano escrevi um artigo para o ISSA Journal sobre os cuidados em rede social, você pode baixar aqui, e tive um feedback muito positivo, inclusive de alguns policias aqui do Texas que distribuiram o artigo no departamento de TI da polícia justamente para trazer ao conhecimento de todos a importância da validação da notícia. Assim como segurança da informação de uma forma geral NÃO PODE ser apenas endereçada com tecnologia, fake news também não pode. Pois existe a questão do fator humano, que é o principal meio de proliferação da notícia.

Por este motivo não é fácil controlar a notícia falsa, pois existem duas coisas que o ser humano peca na hora que compartilha uma noticía falsa:

  • Falta de validação: infelizmente o cidadão não valida a informação antes de compartilhar. Não procura outros meios confiáveis de notícia para saber se o que ele leu é real ou não. Isso chama-se ausência de pensamento crítico (lack of critical thinking). Quando fiz meu mestrado em Cybersecurity na UTICA College, tive uma cadeira de Critical Thinking, justamente por que estavamos tratando de coleta de inteligência para uso em defesa contra ataques. Para você obter Intel (inteligência) sobre algo, você tem que validar a informação múltiplas vezes, diferentes origens até chegar a uma conclusão. Infelizmente isso NÃO ocorre no dia a dia na Internet, pois o botão “Compartilhar” está ali e é bem mais fácil um clique do que pensar de forma crítica.
  • Bias: o cidadão quando compartilha uma notícia (falsa ou não), ele o faz por que ele se identifica de alguma forma com aquela notícia. Exemplo clássico: você já viu alguém compartilhar uma matéria onde o time da pessoa levou uma goleada? Claro que não, pra que? Aquilo não faz bem ao ego. O bias de uma pessoa é o que leva ela a compartilhar algo, e muitas vezes quando o bias é mais alto que a razão, o ítem anterior acima sofre com isso, pois a pergunta que se faz é: “caramba, tenho que compartilhar isso, essa matéria fala justamente o que eu penso e o que eu sempre disse!!” Existe uma identificação pessoal e isso traz uma satisfação grande. Também estudamos isso no mestrado, onde tivemos palestra com ex agente da CIA que explicou que os agentes passam por vários treinamentos na tentativa de eliminar todo e qualquer bias antes de receber uma missão.

Infelizmente essa batalha contra notícias falsas não tem uma solução técnica fácil e do ponto de vista do usuário ainda é mais complicado pelos fatores acima citados. Então a pergunta que fica é, o que fazer? Pessoas estudadas, e principalmente profissionais da área de tecnologia deveriam usar pensamento crítico para todas tomadas de decisões (ler o livro Emotional Intelligence: Guide to Mastering Your Emotion- Critical Thinking, Raising EQ for Life Mastery é um bom começo). E lembre-se que antes de compartilhar algo, é seu dever fazer pelo menos duas coisas:

  • Validar se a notícia é válida (múltiplas origens, e se possível de diferentes nacionalidades)
  • Validar se as origens que você está utilizando não tem uma agenda pré-estabelecida onde ela vai SEMPRE enfatizar a visão dela (aqui é onde temos que colocar o bias de ladoe agir com razão e evidência concreta)

Além disso, é importante educar outras pessoas quando a isso, inclusive considere a inclusão do tema “fake news” no Security Awareness Training da sua empresa.

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