Qual o Plano Presidente?

Hoje quando li a reportagem cujo título diz: Brasil fica entre os últimos em termos de prontidão para ataques virtuais, confesso que fiquei decepcionado. A decepção veio por que sei que no Brasil tem gente de extrema qualidade técnica, não só no setor privado mas também no setor público. Trabalhei em dois orgãos públicos quando morava no Brasil, um foi o Instituto de Planejamento do Ceará (IPLANCE) em 1996 e outro foi na transição de TeleCeará para Telemar (em 1999). No primeiro tive contato com pessoas extremamente talentosas e que queriam fazer acontecer. Lembro-me que um dos grandes projetos na época era a criação de uma base de dados geográfica, com agregação de vários dados, etc.

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IPLANCE 1996 (na época ainda com o cabelão e trabalhando com Delphi 1.0)

Na Telemar em 1999 cheguei quando já era privada, mas também tive a chance de pegar toda a turma que era estatal, muita gente boa. Profissionais com mestrado, com dedicação ao trabalho. Aprendi muito nesta época.

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Telemar 1999 (noite do Bug do Milênio, ficamos de plantão na sala dos servidores – eu cuidava do Windows NT 4.0)

Se temos mão de obra qualificada em ambas áreas, o que está ocorrendo? Eu não estou no Brasil fazem 8 anos, mas meu contato com profissionais da área de TI, Segurança e Telecomunicações que estam no Brasil é algo que acontece diariamente.  Sem contar que todo ano vou ao Brasil. Acho que falta investimento na área, o Brasil ainda vive da imagem de ser um país de paz e amor….afinal, quem vai querer nos atacar? Somos amigos de todos, temos praia, carnaval e futebol. Quem vai querer derrubar estas maravilhas? A verdade é que como um país emergente e com uma crescente exposição internacional, o Brasil é sim um alvo e deve tomar cuidado com isso. Todos que falam do Brasil hoje sempre mencionam duas coisas: Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016

Estou no meu primeiro semestre do mestrado de Cybersecurity aqui nos EUA e a atual disciplina que estou estudando chama-se: Critical National Infrastructure and National Security. Neste curso estou estudando vários aspectos sobre os recursos críticos dos Estados Unidos e como eles vem trabalhando na Segurança destes recursos. Cada semana são cerca de 200 páginas que tenho que ler para manter o rítmo dos debates com outros alunos do curso e com os professores. Lhe digo uma coisa, não é a toa que no gráfico abaixo os Estados Unidos aparecem bem na foto. É por que a coisa aqui é muito séria no que diz respeito a Cybersecurity:

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Fonte: http://mms.businesswire.com/bwapps/mediaserver/ViewMedia?mgid=309201&vid=5

Também não estou aqui para defender os Estados Unidos dizendo que eles tem um plano perfeito, pelo contrário, existem áreas para melhorar, até mesmo por que as brechas em orgãos do Governo estam aparecendo com uma certa frequência (como foi o caso de vazamente de informações do FBI recentemente). Meu ponto aqui é: se um país que investe de forma brutal em Cybersecurity ainda tem brechas, o que esperar de um país que aparece na lista como um dos últimos no quesíto de defesa contra cyber ataque?

Essa semana por exemplo acompanhei o pronunciamento da Secretária de Homeland Security dos Estados Unidos, Janet Napolitano, onde ela citou a importância de continuar melhorando as barreiras do cyberspace, e enfatizou dizendo: “cyber security é algo que nos mantém bem ocupados”.  Ver na íntegra o pronunciamento aqui.

A pergunta que fica é: qual o Plano Presidente? Como é que o Brasil vai se preparar para não parar durante eventos como a Copa e as Olimpíadas? Por que nas Olimpíadas de Londres, eles (os Ingleses) já estam trabalhando pesado para ter um ambiente cibernético mais seguro.

Qual o nosso plano?

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4 Responses to Qual o Plano Presidente?

  1. Meu amigo Thiago Everton (@thiagoeverton) compartilhou comigo as seguintes iniciativas que estam ocorrendo no Brasil:
    http://info.abril.com.br/noticias/ti/brasil-tera-centro-de-defesa-cibernetica-09062011-21.shl

    http://www.testedeinvasao.com.br/2012/seguranca-e-defesa-cibernetica-%E2%80%93-desafios-estrategicos-na-esfera-governamental-via-tulio_alvarez/

    Ao passo que é importante ter tais iniciativas ocorrendo, é importante que tais iniciativas sejam implementadas na prática e que de fato possamos ter (talvez no portal da transparência do Governo) um plano consistete para segurança Cibernética no Brasil. Como eu disse, pessoal qualificado eu sei que tem.

  2. Ótimo texto, Yuri!

    Não é porque somos o país do carnaval, futebol e praia que não vamos nos preocupar com o assunto.
    O Brasil tem que abrir os olhos!

    Abç!

    Paulo Moreira
    @paulomoreirati

  3. Rodrigo Dias says:

    Yuri,

    Fantástica observação. Vemos crescer notícias e indícios de que a China mantém divisões dentro do exército preparando pessoas para uma possível Cyber-guerra. Parece roteiro de Hollywood, ou mesmo neurose de veterano da Guerra Fria, mas o fato é que derrubar sistemas de comunicação e coordenação – quase todos, alicerçados sobre redes e serviços de computadores – facilita muito a “guerra de verdade”.

    Pior do que um governo radical mas que pode ser localizado e punido (afinal, sabemos onde o PNC está sediado), é um único homem, em um país como a Índia, com seu 1,2 bilhões de habitantes, capacitado, com acesso a elevado conhecimento, camuflado na multidão, e mal intencionado. Como disse uma figura famosa da história: “Não temo um país com várias armas nucleares; temo um homem com uma só”.

    Tudo isso pra dizer que o Brasil tem sim pessoal muito capacitado para lidar com o desafio. Mas esbarra na visão ultrapassada de 90% (tá, é um número sem base) dos gestores empresariais da América Latina, que ainda encaram TI como custo puro, assim como o tratamento de resíduos da cadeia produtiva, e etc.

    Vejo isso todos os dias no Frontline: Fazer com que o ambiente tenha o número adequado de servers, e soluções aprovadas de redundância “é muito caro”. “Afinal, do jeito que está hoje, está funcionando muito bem”; é o que mais ouço. Porém quando tudo falha, e o custo e o tempo de reparo se mostram elevados, ouvimos “Essa infraestrutura não é confiável. Gastamos muito e o produto mal consegue se manter no ar”. Para as afirmações acima, eu também tenho uma resposta adaptada de outra figura famosa: “Quem não conhece a história, está fadado a repeti-la”.

    Cheers,

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