Quando a Falha na Segurança Física Torna-se uma Questão de Vida ou Morte

O que aconteceu hoje no Rio de Janeiro foi uma tragédia sem dimensão, algo que apesar de ser raro no Brasil (bem mais comum aqui nos EUA) mostra a fragilidade do sistema de segurança dos orgãos públicos. Digo isso com bastante propriedade, pois estudei em escola pública em Fortaleza e notava a fragilidade no sistema. Para vocês terem uma idéia quando eu fazia o terceiro ano de Técnico em Contabilidade (essa foi minha primeira formação) eu tive aula com um Professor que era amigo do Professor real. Não era funcionário da escola, mas entrou lá, bateu o ponto, levou o material para a sala de aula e se apresentou como Professor substituto. Dias depois ficamos sabendo pelo próprio Professor que o cidadão era Professor sim, mas não de um orgão público. Não vou comentar que escola foi essa e nem a disciplina que tal evento ocorreu, não vem ao caso, apenas citei isso para mostrar como é que funcionava o “esquema” (a um bom tempo, diga-se de passagem).

Muito bem, hoje tivemos outro caso de falha na segurança física de um orgão público. Aparentemente (segundo a imprensa) o que houve foi:

“Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula.”
Fonte: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/atirador-entra-em-escola-em-realengo-mata-alunos-e-se-suicida.html

Muito bem, quer dizer que o indivíduo atira na rua e mesmo assim consegue entrar “sem violência” no estabelecimento público dizendo que vai ministrar uma palestra. Conversa com a Professora sobre a palestra e depois segue para sala de aula normalmente onde começa o massacre. Isso pra mim chama-se engenharia social, ele simplesmente mostrou ser quem não era e com isso conseguiu acesso ao que ele queria. Este tipo de comportamento combina exatamente com o que foi dito no Domingo passado na materia do Fantástico, onde um falso Coronel conseguiu treinar todo um batalhão mesmo sem nunca ter sido do Exército. Ele mesmo diz no final da entrevista que “basta você se impor e mostrar que sabe de algo que as pessoas vão acreditar em você sem mesmo”. Quando iremos aprender que a era da confiança na palavra ou no “fio do bigode” já não existem mais? Vivemos em um mundo onde temos que validar informações em todas as etapas da transação, esteja ela acontecendo no âmbito lógico ou físico. Usando o modelo de defesa em profundidade, você acha que tal tragédia teria acontecido hoje? Provavelmente não, até mesmo por que na primeira validação de acesso de entrada no orgão público já teria alguém que iria barrar o indivíduo, pois estava portando arma. Este tipo de abordagem em camadas físicas está descrita no meu livro de Segurança, no Capítulo 11.

Sem dúvida é dia triste, mas que sirva de lição que não adianta investir milhões em segurança na área tecnológica e esquecer-se da segurança física, até mesmo porque a falha neste tipo de segurança pode lhe custar à vida.

God Bless Brazil !!

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2 Responses to Quando a Falha na Segurança Física Torna-se uma Questão de Vida ou Morte

  1. Uilson Souza says:

    Excelente colocação Yuri! Concordo plenamente!

  2. Muito boa a sua colocação Yuri!!
    Que exemplo de Pais escolhido para as olimpíadas e Copa do Mundo o Brasil quer mostrar com essas falhas?
    Mas é isso ai!! Parabéns pela matéria!

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